A coleção Sardinha by Bordallo Pinheiro resulta da colaboração entre a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, fundada em 1884 por Raphael Bordallo Pinheiro, a EGEAC – Empresa de Gestão e Animação Cultural de Lisboa, e a Câmara Municipal de Lisboa.
A sardinha de faiança originalmente concebida por Raphael Bordallo Pinheiro no século XIX, transformou-se no suporte ideal para materializar o trabalho criativo que a EGEAC desenvolve desde 2003, no âmbito das Festas de Lisboa e do “Concurso Sardinhas Festas de Lisboa”, que elevou a sardinha, icónico pescado da cultura e da gastronomia portuguesa, a um ícone internacional da cidade, sinónimo de animação, das cosmopolitas festas de verão da capital portuguesa.
Um olhar sobre uma forma tão portuguesa de sentir. O verdadeiro significado da “saudade”, tão bem traduzido pelas palavras e sons na voz sentida desta artista, tão nossa como a sardinha. Nossa e do mundo inteiro. E que nada às paredes confessam…
Pode uma sardinha fazer-se à onda? É vivinha da costa e sabe saltar, fazer a cavada, a batida e o float. Faz trinta por uma linha para chegar à onda perfeita. Mas depois o mar acalma e apetece descansar. A nossa sardinha trabalha muito bem para o bronze!
A “Cacilheira” decidiu recriar a ligação entre as duas margens do rio Tejo. Um rodopio de ir e voltar, nas viagens à Trafaria para ir à praia, ou no ritmo diário para o trabalho entre o porto de Cacilhas e o Cais do Sodré. Haja rio!
“A Galinha Choca da Economia” foi capa da revista “A Paródia”, em 1900, onde Raphael Bordallo Pinheiro manifesta o seu descontentamento face à vida política do país e resolve caricaturar os vários aspetos da realidade socioeconómica do Portugal de então... ou será dos nossos dias?
A sardinha “Eléctrica 28” quis fazer o percurso mais carismático de Lisboa e transportar as vivências dos seus habitantes. E não só, pois hoje em dia já são mais os turistas do que os locais. Desde a Estrela até à Graça, passando pela Basílica da Estrela, o Chiado, a Sé, os miradouros para o rio Tejo e a Feira da Ladra, esta sardinha não para. É mesmo elétrica!
“O Grande Cão da Finança” foi capa da revista “A Paródia”, em 1900,
e caricatura as finanças com a coleira do défice. “Por mais bolos que lhe deitem; o raio do cão não morre!”. É o resultado do desespero que Raphael Bordallo Pinheiro começa a sentir face à manipulação e ao oportunismo políticos, tentando consciencializar a sociedade de então. Nunca passa de moda.
Chama-se “Liberdade” porque foi inspirada na Revolução dos Cravos. A personagem de Salgueiro Maia, personagem emblemática do 25 de Abril, serviu de base para a representação do militar. Sardinha de cravo vermelho, símbolo da revolução pacífica.
“Miss Castelinhos” é baseada no filme “A Canção de Lisboa”, de 1933, e na sua personagem principal, Alice, interpretada por Beatriz Costa. Todos os pormenores (dedal, alfinetes e bordados) retratam a ocupação da personagem, uma costureira do Bairro dos Castelinhos. Uma sardinha Miss.
Esta sardinha-piscina contém em si o calor e a diversão típicos da época
de verão e das festas de Santo António. Em primeiro plano, uma voluptuosa nadadora mergulha para momentos refrescantes.
Podemos chamar-lhe uma homenagem ao Santuário de Fátima que, anualmente, acolhe peregrinos de todo o mundo, em peregrinação para expressar a sua fé e crença no local da aparição de Nossa Senhora aos 3 Pastorinhos: Francisco, Jacinta e Lúcia. Uma santa sardinha!
Uma sardinha que reflete a alegria contagiante dos santos populares, inspirada nas obras de Andy Warhol, que utilizava cores fortes e variadas para representar a impessoalidade de objetos e celebridades, com o intuito de aproximar a arte à vida comum. A tradição portuguesa também é pop.
Os turistas que deixam Lisboa num navio de cruzeiro passam pelo edifício do Porto de Lisboa e é nesse momento, quando vêm a cidade pela última vez, banhada pelo sol do fim da tarde, que entendem o significado da palavra saudade.
Há mil e uma maneiras de fazer bacalhau, prato que é provavelmente o mais típico da cozinha tradicional portuguesa. Este bacalhau graúdo está em preparação para se tornar no tão apreciado “bacalhau cozido com todos”. Bem regado com azeite e pronto a ser servido com um vinho tinto a preceito.
A casa portuguesa abarca figuras, sons e texturas. A típica casa tem um soalho que range, um quadro desalinhado do “Menino da lágrima”, uma Nossa Senhora de Fátima e um naperão, onde assenta a TV antiga que passa a “Canção de Lisboa”, com a franja da Beatriz Costa. Esta é, com certeza, uma casa portuguesa!
Evocação de um ritual com 3000 anos, celebrado ainda hoje em países da América Central, que honra a memória dos antepassados. O seu símbolo mais expressivo são as caveiras enfeitadas e coloridas, representando morte e renascimento. O turbante acentua a relação entre culturas e é uma referência direta a Chakall.